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Fundamos a ASSOCIAÇÃO PSICANALÍTICA DE CURITIBA para abrigar os princípios que consideramos relevantes para que uma instituição possa dizer-se, a partir dos ensinamentos de Freud e de Lacan, de transmissão e de formação em psicanálise, quais sejam:
Uma TRANSMISSÃO de uma textura tal que permita a cada um que assume as conseqüências de sua formação, uma elaboração própria dos ensinamentos psicanalíticos. O que se aprende fica então subordinado - enquanto astúcias de consciência - às formações do inconsciente, já que nelas se reconhece, muito além do consciente ou inconsciente, o vetor de toda e qualquer eficácia no discurso. Aí está a razão necessária para que cada um faça a sua própria elaboração dos ensinamentos psicanalíticos.
A FORMAÇÃO entendida, então, como dar lugar à trajetória de cada um, onde o desejo de saber encaminha ao tripé análise-supervisão-teoria, priorizando o viés da transferência, já que é nesse viés que se evidencia a disjunção desse saber com a verdade, motor e ponto de inspiração fundamental da produção. Por isso, fica sublinhada a exposição aos pares e a psicanálise de cada um.
O ENSINO, pensado de forma a não dar lugar a exercícios inócuos de mestria, mas sim visando despertar o desejo do desejo de saber, tanto quanto de suportar seu limite, será oportunizado pelos cartéis, grupos de trabalho, grupos textuais e seminários.
A CLÍNICA PSICANALÍTICA será enfocada a partir de discussões clínicas e seminários sobre temas clínicos, dando lugar para refletir, debater e produzir no que diz respeito à prática da psicanálise, bem como com relação às questões específicas da clínica de crianças, de adolescentes, das psicoses e da transdisciplinaridade.
A EXPOSIÇÃO dos trabalhos que vão se desenvolver no interior da instituição, assim como de seu funcionamento, dar-se-á através de boletins periódicos, publicações específicas, debates, seminários abertos à comunidade e jornadas de apresentação de trabalhos.
A PSICANÁLISE EM EXTENSÃO terá seu lugar, tanto no sentido de estabelecer laços com a cultura, quanto no de divulgar a psicanálise na pólis. Institucionalizar-se não significa colocar a instituição como um fim e fazer de sua manutenção um objetivo único. Uma instituição idealizada a este ponto inviabiliza o trabalho e a criação; instaura algo como uma religiosidade, com ídolos a serem adorados e ideais inatingíveis, o que tem um efeito incapacitante sobre seus membros, ficando de fora a singularidade.
Trata-se, sim, de institucionalizar-se para tornar possível o rigor necessário à formação analítica, de associar-se para enfrentar melhor a solidão do ato analítico e para dar conta da responsabilidade de sua prática.
Existe um real em jogo na formação dos analistas, que Lacan recomenda não ocultar, e sim fazer face. É necessário que a instituição proponha os horizontes possíveis, pensáveis a partir de princípios que não constituam um fim em si mesmos, existindo flexibilidade na sua administração e possibilidade de modificação no funcionamento. Em suma, uma instituição aberta às mudanças, sem pretensão de "pronta", que possa fundar o que Moustapha Safouan denomina de um laço social novo: "para cada um, a análise prossegue: passa-se da própria história à da psicanálise, de modo que ela se perpetua, engendrando uma nova geração de psicanalistas".
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